Jornal e Educação no século XXI – Expansão do Conceito

23 de junho de 2016, postado em Notícias por Cleyton Queiroz

           A primeira questão a ser refletida é o conceito de Educação, que intitula o Programa Jornal e Educação (PJE) . Trata-se de um programa de sala de aula, como comumente se pratica, ou pode ser um sistema amplo de comprometimento do veículo jornal com todos os seus leitores: os integrantes da comunidade escolar (gestores, professores, estudantes, funcionários, familiares), os assinantes, os leitores em geral? Entendemos que a empresa jornalística, comprometida com a responsabilidade social, reconhece a importância educativa da mídia e procura promover, por meio dos conteúdos publicados, a educação continuada de todos os leitores, de todas as idades. Nesse sentido, o PJE é um forte alavancador no processo das Cidades Educadoras . Quando e como o jornal, realmente, contribui para a educação?

Utilizar os conteúdos jornalísticos apenas como subsídios, para atingir os objetivos disciplinares é “educar”? O que falta no processo educacional e o jornal pode ser um recurso para suprir estas carências? Poder-se-ia escrever um livro a respeito, mas lembraremos alguns aspectos essenciais: a formação da cidadania, educação de valores humanos, a consciência ética, a educação ecológica, sexual, a preparação para o mercado de trabalho, enfim, “aprender a ser e a conviver”, pilares da educação proclamados pela UNESCO. A prática reducionista, centrada nos conteúdos curriculares, está evoluindo para o reconhecimento do jornal como uma fonte de informações diversificadas e atualizadas. Assim, o jornal torna-se uma fonte de informação para assuntos emergentes, que os currículos não contemplam, por tabus ou descompasso com a atualidade e, para os quais, nem sempre os professores estão preparados. Mas é preciso ir além da informação e, pela análise e exploração dos problemas cotidianos publicados, sedimentar os saberes que proporcionem o desenvolvimento da inteligência existencial, de personalidades resilientes, capazes de conviver de forma equilibrada com as dificuldades e “patologias” sociais e pessoais.

PJE DE MÃO DUPLA – O incentivo à leitura e a análise crítica de jornais são operações básicas de um programa de Jornal e Educação – é a via sentido “redação para o leitor”. Num conceito ampliado, há via de volta, “do leitor para a redação”, na qual os leitores interagem com o jornal, encaminhando as críticas, sugestões e comentários sobre o que leram e analisaram. Tornam-se co-produtores, apresentando pautas sobre questões que merecem o olhar da imprensa. Assumem a sua responsabilidade social e utilizam o jornal como recurso e prática cidadã.

QUANTIDADE X QUALIDADE – O avanço acelerado da informação por meios eletrônicos é contrastante com grande parte da população que nem sequer tem acesso à informação impressa. O PJE pode ser um dínamo no processo de democratização da informação, fazendo chegar o produto ao maior número possível de áreas carentes. E, junto com o produto, o trabalho educativo. Sem informação, não há desenvolvimento social. No entanto, há uma tendência em se restringir o número de escolas e organizações participantes para garantir a qualidade do trabalho. Assim, os programas perdem sua força democratizante, em troca de uma qualidade restrita. Acreditamos que o aspecto qualitativo deve ser preocupação não só da empresa jornalística, mas deve, principalmente, contar com o empenho dos órgãos de ensino, cursos de formação de professores, fazendo a parte que lhes cabe na formação dos mediadores de leitura. Organizações promotoras de leitura, como a Associação de Leitura do Brasil (ALB), Proler, entre outras, muito podem colaborar, como está acontecendo neste seminário. A Política do Livro e da Leitura deve fazer sua parte, incluindo a informação jornalística em suas ações.

NÍVEIS DE ENSINO – No início do PJE no Brasil, a prioridade era o Ensino Fundamental e, ainda hoje, muitos programas só atingem este ciclo, ou parte dele. Enquanto isso, a porcentagem de universitários que não se interessam pela informação jornalística é preocupante. Defendemos ações voltadas ao Ensino Médio e Ensino Universitário, em caráter emergencial.

RELAÇÃO JORNAL X DISCIPLINAS CURRICULARES – O jornal é excelente recurso de aplicabilidade dos conteúdos curriculares, atendendo ao disposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Porém, restringir o programa a este objetivo é didatizar o jornal. Quando o texto jornalístico é utilizado como recurso para leitura de mundo, as disciplinas deixam de ser um fim para serem um recurso facilitador para entendimento e aprofundamento da análise da realidade. Muda-se o foco e amplia-se a perspectiva da fragmentação curricular para leitura de mundo, a multidisciplinaridade e educação centrada no ser e na realidade.

PERFIL DE COORDENADOR DE PJE – O coordenador de um programa expandido de Jornal e Educação precisa ser, primeiramente, um “mídio-educador”, que promova a alfabetização midiática, seja um facilitador da leitura crítica e um incentivador da leitura de mundo. Além das atribuições administrativas e pedagógicas, o coordenador de PJE deve exercer a função de intermediário entre a empresa jornalística e os participantes do programa, atuando como catalisador das necessidades e anseios dos educadores e leitores. Mente aberta, espírito pró-ativo e criativo, capacidade de liderança e comprometimento com a responsabilidade social da mídia, são atributos essenciais para um gestor de PJE no século XXI. Concluindo: já se transcorreram oito anos do século XXI. Novos programas foram criados, juntando-se aos já existentes. Para onde caminham? Esperamos que, nos próximos anos, o Programa Jornal e Educação seja um catalisador dos anseios e necessidades da educação – em seu sentido mais amplo – mediador entre os educadores e as redações, propulsor/facilitador de transformações no processo educacional e na sociedade pela utilização da força da mídia para o bem comum.

Sílvia Costa

Mídio-educadora, coordenadora e  consultora educacional

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